Resposta curta. a lista de PICs do SUS reúne 29 práticas integrativas e complementares reconhecidas pelo Ministério da Saúde. Começou em 2006 com acupuntura, homeopatia, fitoterapia e termalismo, ganhou 14 práticas em 2017 (entre elas Reiki, yoga e meditação) e mais 10 em 2018 (entre elas terapia de florais e aromaterapia). A oferta acontece sobretudo nas UBS e varia por município. EFT não está na lista.
O que são as PICs e o que é a PNPIC?
PICs são as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, definidas pelo Ministério da Saúde como abordagens terapêuticas que atuam de forma complementar ao tratamento convencional. Elas são indicadas conforme a necessidade de cada pessoa, para prevenir agravos, promover e recuperar a saúde e ampliar autonomia e autocuidado. Fazem parte do que a Organização Mundial da Saúde chama de Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas.
A PNPIC é a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Foi criada e aprovada pelo Ministério da Saúde em 2006, com base em diretrizes da OMS, e depois ampliada por outras normas. Muitas das práticas já eram oferecidas em municípios antes disso; a política organizou e reconheceu essa oferta dentro do sistema público.
O termo “integrativa” tem sentido parecido fora do Brasil. O NCCIH, centro de saúde complementar dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, usa “complementar” para a prática que acompanha o tratamento convencional e “integrativa” para o uso coordenado das duas coisas. É esse o espírito da política brasileira.
Quais são as 29 práticas integrativas do SUS?
As 29 práticas estão listadas abaixo, em ordem alfabética, com uma descrição curta baseada nos textos oficiais e o ano em que cada uma entrou na política. As descrições seguem a PNPIC, as portarias de inclusão e o Glossário Temático do Ministério da Saúde.
| Prática | Em uma linha | Inclusão na PNPIC |
|---|---|---|
| Apiterapia | Uso de produtos das abelhas, como mel, própolis e apitoxina, para promoção e manutenção da saúde | 2018 (Portaria 702) |
| Aromaterapia | Uso intencional de óleos essenciais, concentrados voláteis extraídos de vegetais | 2018 (Portaria 702) |
| Arteterapia | Prática que utiliza a arte como base do processo terapêutico | 2017 (Portaria 849) |
| Ayurveda | Sistema de cuidado de origem indiana, individualizado conforme os doshas, com autocuidado como base | 2017 (Portaria 849) |
| Biodança | Vivências coletivas com música e movimento, inspiradas nas origens da dança | 2017 (Portaria 849) |
| Bioenergética | Psicoterapia corporal com exercícios e respiração para trabalhar tensões e conteúdo emocional | 2018 (Portaria 702) |
| Constelação familiar | Técnica de representação espacial das relações familiares | 2018 (Portaria 702) |
| Cromoterapia | Uso das cores com finalidade terapêutica | 2018 (Portaria 702) |
| Dança circular | Dança em roda, tradicional e contemporânea, que valoriza o grupo mais do que a técnica | 2017 (Portaria 849) |
| Geoterapia | Aplicação de argila diluída em água sobre o corpo, com fins terapêuticos | 2018 (Portaria 702) |
| Hipnoterapia | Técnicas de relaxamento, concentração e foco para um estado de consciência ampliado | 2018 (Portaria 702) |
| Homeopatia | Sistema médico de caráter holístico, baseado no princípio vitalista e na lei dos semelhantes | 2006 (Portaria 971) |
| Imposição de mãos | Prática terapêutica secular que implica um esforço meditativo para transferência de energia vital | 2018 (Portaria 702) |
| Medicina antroposófica/antroposofia aplicada à saúde | Abordagem médico-terapêutica complementar, de base vitalista e organização transdisciplinar | Observatório em 2006; inclusão formal em 2018 (Portaria 702) |
| Medicina Tradicional Chinesa/acupuntura | Sistema médico de origem chinesa; a acupuntura estimula pontos anatômicos definidos com agulhas filiformes | 2006 (Portaria 971) |
| Meditação | Prática de harmonização dos estados mentais e da consciência, com atenção ao momento presente | 2017 (Portaria 849) |
| Musicoterapia | Utilização da música e de seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) | 2017 (Portaria 849) |
| Naturopatia | Abordagem de cuidado por métodos e recursos naturais, com ênfase na prevenção | 2017 (Portaria 849) |
| Osteopatia | Método diagnóstico e terapêutico baseado na manipulação de articulações e tecidos | 2017 (Portaria 849) |
| Ozonioterapia | Administração de uma mistura de oxigênio e ozônio por diferentes vias, com finalidade terapêutica | 2018 (Portaria 702) |
| Plantas medicinais/fitoterapia | Terapêutica com plantas medicinais em diferentes formas farmacêuticas, sem substâncias ativas isoladas | 2006 (Portaria 971) |
| Quiropraxia | Abordagem com elementos diagnósticos e terapêuticos manipulativos, com ajustes articulares | 2017 (Portaria 849) |
| Reflexoterapia | Estímulos em áreas reflexas, em geral nos pés ou nas mãos | 2017 (Portaria 849) |
| Reiki | Prática de imposição de mãos que usa a aproximação ou o toque sobre o corpo | 2017 (Portaria 849) |
| Shantala | Massagem para bebês e crianças, que fortalece o vínculo com quem cuida | 2017 (Portaria 849) |
| Terapia Comunitária Integrativa | Intervenção em grupos sociais, em formato de roda, que fortalece redes solidárias | 2017 (Portaria 849) |
| Terapia de florais | Prática complementar e não medicamentosa que usa sistemas de essências florais | 2018 (Portaria 702) |
| Termalismo social/crenoterapia | Uso de águas minerais com propriedades medicinais, de forma preventiva ou complementar | 2006 (Portaria 971) |
| Yoga | Posturas físicas, técnicas de respiração, meditação e relaxamento | 2017 (Portaria 849) |
Uma observação sobre a contagem. A política de 2006 nasceu com quatro práticas; a medicina antroposófica entrou no mesmo ano como observatório e só foi incluída formalmente em 2018. Somando 4 práticas de 2006, a antroposófica, 14 de 2017 e 10 novas de 2018, chega-se às 29 de hoje.
Como a lista chegou a 29 práticas?
A lista cresceu em três momentos, por portarias do Ministério da Saúde. A tabela mostra os marcos, em ordem cronológica.
| Norma | Data | O que fez |
|---|---|---|
| Portaria GM/MS nº 971 | 3 de maio de 2006 | Instituiu a PNPIC com acupuntura/Medicina Tradicional Chinesa, homeopatia, plantas medicinais e fitoterapia e termalismo social/crenoterapia |
| Portaria GM/MS nº 1.600 | 17 de julho de 2006 | Criou o Observatório das Experiências de Medicina Antroposófica no SUS |
| Portaria GM/MS nº 849 | 27 de março de 2017 | Incluiu 14 práticas: arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, Reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga |
| Portaria de Consolidação nº 2 | 28 de setembro de 2017 | Consolidou o texto da política junto com as demais políticas nacionais de saúde |
| Portaria GM/MS nº 702 | 21 de março de 2018 | Incluiu apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais, e formalizou a medicina antroposófica |
Hoje o texto vigente da política é o consolidado, e a 3ª edição da PNPIC, publicada pelo Ministério da Saúde em 2026, descreve as 29 práticas em um único documento.
Onde encontrar as PICs no SUS?
Na maioria dos casos, o atendimento pode ser buscado diretamente na Unidade Básica de Saúde, segundo a página oficial do Ministério da Saúde. Algumas práticas, como a acupuntura, podem exigir encaminhamento de um profissional da equipe. Além das UBS, as PICs aparecem em Centros de Práticas Integrativas, Centros de Convivência, Centros de Atenção Psicossocial e outros serviços da Rede de Atenção à Saúde.
A oferta varia conforme a organização de cada município. O Ministério orienta a verificar a disponibilidade na Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde, na UBS de referência ou no CNES, o cadastro nacional de estabelecimentos de saúde. Em termos práticos: pergunte na recepção da sua UBS quais práticas existem ali e como entrar.
Os números mostram que a presença é ampla, mas desigual. Em 2023, o Ministério da Saúde registrou PICs em 4.640 municípios, 83% do total, e a UBS respondeu por 90% dos registros na atenção primária. No mesmo ano foram 7.187.994 participantes em procedimentos de PICs e 5.720.627 procedimentos. Isso não significa que todas as 29 práticas existam em cada cidade; em geral, cada município oferece algumas delas.
Qual a diferença entre PICs no SUS e atendimento particular?
A diferença está em quem aplica, como se entra e quanto custa. No SUS, a prática é aplicada por profissionais da própria rede, com formação específica, dentro de um serviço de saúde e sem custo para você. A porta de entrada costuma ser a UBS, e a oferta depende do que o município decidiu implantar.
No atendimento particular, você escolhe a profissional, o formato e o horário, e paga por isso. Em troca, a responsabilidade de checar formação e limites é sua, porque não há conselho profissional oficial para terapeutas integrativas. O artigo sobre o que faz uma terapeuta integrativa explica essa diferença em detalhe.
Os dois caminhos não se excluem. Muita gente faz acompanhamento médico ou psicológico na rede e busca uma prática integrativa no particular, ou o contrário. O que importa é que o cuidado principal, quando ele existe, continue com quem tem habilitação para isso.
Reiki, EFT e florais: onde se encaixam na lista?
Reiki e terapia de florais estão na lista; EFT não está. O Reiki entrou em 2017, pela Portaria 849, e é descrito na PNPIC como uma prática de imposição de mãos que usa a aproximação ou o toque sobre o corpo. A terapia de florais entrou em 2018, pela Portaria 702, descrita como prática complementar e não medicamentosa que usa sistemas de essências florais. Os florais de Bach são o sistema mais conhecido dentro dessa categoria.
A EFT, ou tapping, não consta entre as 29 práticas. Isso significa que ela não faz parte da política nacional e não é oferecida pelo SUS sob esse nome. Não significa que não exista pesquisa sobre ela. O que existe é um conjunto de estudos, com limitações, que este site discute em artigos próprios, com as fontes.
Vale separar uma confusão comum. Reiki e imposição de mãos são entradas diferentes na lista: o Reiki tem origem e formação próprias, enquanto a imposição de mãos foi incluída como prática secular ligada a tradições diversas. Se quiser conhecer o formato das sessões a distância, veja Reiki online e a distância.
O que a inclusão no SUS significa, e o que não significa?
Significa que o Ministério da Saúde reconhece essas práticas como parte do cuidado em saúde, em caráter complementar, com oferta pública organizada e monitorada. Para quem usa, é um sinal de que a prática tem lugar legítimo dentro de um sistema de saúde, com profissionais formados e registro de atendimentos.
Não significa que a prática substitua tratamento. A própria definição oficial fala em atuação complementar ao tratamento convencional. Reiki, florais e as demais PICs não substituem médico, psicóloga, psiquiatra ou remédio, e nenhuma delas deve ser usada para adiar uma avaliação que você precisa fazer. Também não significa que toda pessoa que ofereça a prática fora da rede tenha a formação de quem a aplica no SUS.
Sobre evidência, o quadro varia de prática para prática. O NCCIH, por exemplo, resume o que se sabe sobre Reiki e aponta que os estudos são pequenos e de qualidade variável. A seção de segurança, evidência e limites reúne o que este site diz sobre cada abordagem, com as fontes.
Como usar essa lista a seu favor?
Use a lista como ponto de partida, não como garantia. Se uma prática que você quer experimentar está entre as 29, pergunte na UBS se ela existe no seu município e como entrar. Se não existe na rede, ou se você prefere escolher a profissional e o horário, o caminho particular está aberto, com as perguntas certas sobre formação e limites.
No caso de Reiki e florais, o reconhecimento público ajuda a conversar com quem acompanha você. Dizer “é uma das práticas da política nacional do SUS” costuma abrir espaço para um diálogo mais tranquilo com médica ou psicóloga sobre o uso complementar. No caso da EFT, a conversa é a mesma, com a diferença de que a referência vem dos estudos, não da política.
Se você quiser entender como uma consulta de florais funciona na prática, a página de consulta de Florais de Bach online descreve o formato.
Perguntas rápidas sobre este tema
As PICs do SUS são gratuitas?
Sim, como qualquer atendimento do SUS. O que varia é a oferta: cada município decide quais práticas disponibiliza e em quais unidades. A forma de saber é perguntar na UBS de referência ou na Secretaria Municipal de Saúde.
Acupuntura precisa de encaminhamento no SUS?
Em muitos casos, sim. O Ministério da Saúde informa que a maioria das PICs pode ser buscada diretamente na UBS, mas práticas como a acupuntura podem exigir encaminhamento de um profissional da equipe de saúde. A regra pode mudar conforme o município.
Quantas pessoas usam PICs no SUS?
Em 2023, o Ministério da Saúde registrou 7.187.994 participantes em procedimentos de PICs e 5.720.627 procedimentos, em 4.640 municípios (83% do total), segundo o Relatório de Monitoramento Nacional das PICS publicado em 2024.
Imposição de mãos e Reiki são a mesma prática na lista do SUS?
Não. São duas entradas diferentes. O Reiki entrou em 2017, pela Portaria 849, e a imposição de mãos entrou em 2018, pela Portaria 702, descrita como prática secular que implica um esforço meditativo. O Reiki é definido como uma prática de imposição de mãos com aproximação ou toque sobre o corpo.
Quer entender se uma terapia integrativa faz sentido para você?
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Fale comigo no WhatsApp (abre o WhatsApp em nova aba)Fontes e referências
- Ministério da Saúde: Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) ↗
- Ministério da Saúde: Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) ↗
- Ministério da Saúde: PNPIC no SUS, 3ª edição (2026) ↗
- Portaria GM/MS nº 849/2017: inclusão de 14 práticas na PNPIC ↗
- Portaria GM/MS nº 702/2018: inclusão de novas práticas na PNPIC ↗
- Ministério da Saúde: Relatório de Monitoramento Nacional das PICS (2024) ↗
- Ministério da Saúde: Glossário Temático de Práticas Integrativas e Complementares (2018) ↗
- NCCIH: o que é saúde integrativa ↗
- NCCIH: Reiki ↗
Referências consultadas em 2 de novembro de 2026. Links externos abrem em nova aba.